Foi-se o tempo em que toda nudez era castigada. Os tempos agora são outros, modernos, incríveis, melhores, incomparáveis... Certo? Bom, é o que os que desconhecem a nostalgia e a melancolia esperam que a gente diga. "Meia-noite em Paris" de Woody Allen está aí que não nos deixa mentir. Críticos especializados dizem que o sucesso do morno filme de Allen se deve a um paradoxo: Se por um lado Allen critica a eterna mania de acharmos que os tempos anteriores aos nossos eram melhores, por outro, foi exatamente o fato de a maior parte do público não ter percebido isso - acreditando que tratava-se na verdade de um manifesto a favor de que poder viver em algum lugar do passado seria incrível - endossou a projeção comercial da película.
Eu fico em cima do muro. Acho o lugar, nesse quesito, o melhor para se estar: Acho mesmo que vivemos num mundo melhor em muitos sentidos (principalmente tecnológico), mas acho que andamos pulando etapas demais no que diz respeito aos avanços sociais. Falamos o tempo todo nos direitos das mulheres ("Olhem só onde chegamos! Temos uma mulher como presidente!"), mas num panorama geral a mulher saiu de um lugar sem privilégio algum, para outro onde a maioria só conquista alguma coisa se estiver com pouca ou nenhuma roupa; Fala-se no país em casamento gay, ao passo que cresce a discriminação entre a própria comunidade gay (que resolveu separar o mundo entre "lekes" e "passivas") e por aí vai. E são nesses tempos de jogos vorazes que desponta a moda da auto-super-exposição como promoção do... Nada. Sim, porque alguém sabe dizer o que o "ator" Sérgio Hondjakoff (o eterno "Cabeção" de Malhação, novelinha vespertina da Rede Globo) andava fazendo? Atuando no quê? Numa nova peça? Numa nova novela? Nada. Mas foi só ele mostrar seu dote (pequeno, verdade) numa webcam precária para, puft!, voltar a frequentar os blogs e páginas sobre celebridades. Com um pouco de sorte, até vire apresentador da MTV ou protagonista de um seriado do Multishow.
A moda dos que usam o corpo para dar guinadas em suas carreiras é velha, mas só há alguns anos foi reinventada (antes a prática era secreta envolvendo dois ou três figurões de TV ou jornal) quando a sex-tape da lua-de-mel safadinha da estrela da tv norte-americana Pamela Anderson foi parar na Internet. Na época (parece que fazem décadas!) a coisa toda foi tratada como um escândalo, como uma possibilidade fatal, como fim de carreira. Pouco tempo depois do sucesso on line da fita, a própria Pamela resolveu comercializar o registro. De lá pra cá, vivemos um boom de sex-tapes que vão de sexo hardcore a masturbação internáutica, passando por estrelas decadentes catapultadas a protagonistas de filmes pornô, até fotinhas em jpg mostrando felação ou auto-retratos.
Mas, nem tudo são "flores" no mundo moderno. Porque nem tudo é consentido. Depois da atriz Scarlett Johansson ter seus eletrônicos hackeados e acordar espantada num mundo de olhos vidrados em fotos particulares em que aparecia nua, o mercado alimentado por pseu-celebridades em busca de "restituição de cargo" gera anomalias criminosas. Ao que parece, a última vítima foi Carolina Dickemann, que acaba de ter fotos íntimas suas, amplamente divulgadas na rede, possivelmente hackeada por alguém que compartilha da cultura da super-exposição.
Eu não sei se o passado é melhor que o presente, mas sinceramente, eu espero que o futuro do Homem, da Humanidade, seja tão promissora quanto nos parece ser um Ipad: Com atualizações incríveis a cada ano, rumo a um mundo de design mais bem-acabado e apps (pessoas) incríveis.












