04/05/2012

TODA NUDEZ SERÁ CAS... HACKEADA.

Foi-se o tempo em que toda nudez era castigada. Os tempos agora são outros, modernos, incríveis, melhores, incomparáveis... Certo? Bom, é o que os que desconhecem a nostalgia e a melancolia esperam que a gente diga. "Meia-noite em Paris" de Woody Allen está aí que não nos deixa mentir. Críticos especializados dizem que o sucesso do morno filme de Allen se deve a um paradoxo: Se por um lado Allen critica a eterna mania de acharmos que os tempos anteriores aos nossos eram melhores, por outro, foi exatamente o fato de a maior parte do público não ter percebido isso - acreditando que tratava-se na verdade de um manifesto a favor de que poder viver em algum lugar do passado seria incrível - endossou a projeção comercial da película.

Eu fico em cima do muro. Acho o lugar, nesse quesito, o melhor para se estar: Acho mesmo que vivemos num mundo melhor em muitos sentidos (principalmente tecnológico), mas acho que andamos pulando etapas demais no que diz respeito aos avanços sociais. Falamos o tempo todo nos direitos das mulheres ("Olhem só onde chegamos! Temos uma mulher como presidente!"), mas num panorama geral a mulher saiu de um lugar sem privilégio algum, para outro onde a maioria só conquista alguma coisa se estiver com pouca ou nenhuma roupa; Fala-se no país em casamento gay, ao passo que cresce a discriminação entre a própria comunidade gay (que resolveu separar o mundo entre "lekes" e "passivas") e por aí vai. E são nesses tempos de jogos vorazes que desponta a moda da auto-super-exposição como promoção do... Nada. Sim, porque alguém sabe dizer o que o "ator" Sérgio Hondjakoff (o eterno "Cabeção" de Malhação, novelinha vespertina da Rede Globo) andava fazendo? Atuando no quê? Numa nova peça? Numa nova novela? Nada. Mas foi só ele mostrar seu dote (pequeno, verdade) numa webcam precária para, puft!, voltar a frequentar os blogs e páginas sobre celebridades. Com um pouco de sorte, até vire apresentador da MTV ou protagonista de um seriado do Multishow. 

A moda dos que usam o corpo para dar guinadas em suas carreiras é velha, mas só há alguns anos foi reinventada (antes a prática era secreta envolvendo dois ou três figurões de TV ou jornal) quando a sex-tape da lua-de-mel safadinha da estrela da tv norte-americana Pamela Anderson foi parar na Internet. Na época (parece que fazem décadas!) a coisa toda foi tratada como um escândalo, como uma possibilidade fatal, como fim de carreira. Pouco tempo depois do sucesso on line da fita, a própria Pamela resolveu comercializar o registro. De lá pra cá, vivemos um boom de sex-tapes que vão de sexo hardcore a masturbação internáutica, passando por estrelas decadentes catapultadas a protagonistas de filmes pornô, até fotinhas em jpg mostrando felação ou auto-retratos.

Mas, nem tudo são "flores" no mundo moderno. Porque nem tudo é consentido. Depois da atriz Scarlett Johansson ter seus eletrônicos hackeados e acordar espantada num mundo de olhos vidrados em fotos particulares em que aparecia nua, o mercado alimentado por pseu-celebridades em busca de "restituição de cargo" gera anomalias criminosas. Ao que parece, a última vítima foi Carolina Dickemann, que acaba de ter fotos íntimas suas, amplamente divulgadas na rede, possivelmente hackeada por alguém que compartilha da cultura da super-exposição.

Eu não sei se o passado é melhor que o presente, mas sinceramente, eu espero que o futuro do Homem, da Humanidade, seja tão promissora quanto nos parece ser um Ipad: Com atualizações incríveis a cada ano, rumo a um mundo de design mais bem-acabado e apps (pessoas) incríveis.





22/04/2012

DE ONDE PARTEM OS SONHOS

Como a maioria dos brasileiros (ou assim nos parece) cresci assistindo novelas. Novelas e filmes. Muitas novelas e muitos filmes. Sempre, desde a minha primeira lembrança da infância (eu tinha 2 anos) desejei ser artista. Mas só com o tempo fui entendo que ser artista também significava estar "atrás das câmeras", na coxia, num quarto parcamente iluminado diante de um teclado de computador, sozinho ou, com um pouco de auto-piedade ou positivismo, acompanhado de uma (nem sempre boa) idéia, era nem sempre estar nas festas mais badaladas, nem sempre ser o mais popular, era ter que desligar o celular durante um tempo, era ter que ir dormir cedo...

Há alguns meses escrevi aqui sobre uma de minhas várias tentativas de, como "exercício do ofício", assistir novelas com o olhar de aprendiz (que de fato sou). Nesse post eu "falava" das novelas que estavam no ar na época. Coisa do destino, das três no ar na Rede Globo, só consegui assistir duas, "Aquele Beijo" de Miguel Falabella e "Fina Estampa" de Aguinaldo Silva. Sobre a das nove, eu não disse nada. Primeiro porque era a do Aguinaldo Silva, persona que não suportei seguir no Twitter ou acompanhar na blogosfera por sua "personalidade arrogante, vaidade excessiva e a sensação de que está num eterno estado de pay back (termo em inglês mais apropriado para o que eu achava e que significa numa tradução livre "revidar", "pagar na mesma moeda"); Segundo porque eu simplesmente não conseguia chegar ao final de um capítulo que fosse. Achava os diálogos de uma objetividade que me afrontava, me ofendia. 

Mas o tempo passa e quem é esperto se deixa aprender. Na mesma edição que saiu uma entrevista que dei para revista Júnior, Aguinaldo Silva estava lá falando do sucesso inegável de sua novela. Relutei para ler. Por fim, li a entrevista. Fiquei surpreso. Lá estava um homem que sabia EXATAMENTE o que estava fazendo. Não era um senhor caduco que havia a muito esquecido seu talento. Ali estava um homem completamente ANTENADO com seu tempo. Os dias passaram e esqueci (é sempre mais fácil esquecer do que é bom).

Nesses últimas dias em que fiquei de cama recebi de um amigo um e-mail que reproduzia dois posts de Aguinaldo  Silva. Mais uma vez relutei. Porque diabos um amigo me mandaria um link com palavras de Aguinaldo Silva?, pensei. Mas mais uma vez, por alguma razão (quero acreditar que inteligência), li. E foi a emoção que eles me causaram que me trouxe aqui. Descobri que Aguinaldo não escreve novela para mim, escreve para o grande público e ter me incomodado com isso foi uma tremenda imbecilidade, um golpe no meu progresso artístico, no meu aprendizado. Criticar é paralisar, não o objeto da crítica, mas quem critica. A crítica para quem é fã do progresso deve estar relacionada a ação, ao movimento, ao fazer, ao experimentar, ao se colocar em cheque e não se colocando como mero observador. Fazer o que se ama é entender que nem sempre se fará o que se quer. "Uma coisa é você perseguir a fama a partir da República do Leblon e adjacências, e outra é pegar um trem e tentar sair de Realengo ou, mais distante ainda, do Nordeste remoto, mesmo que você só viva lá em espírito. Quem já passou pela aventura que é tentar sair dos lugares (e sobrenomes) menos privilegiados desse país saberá do que estou falando: da enorme pressão que faz com que os bem nascidos e bem recomendados levem vantagem em tudo" (Aguinaldo Silva). 

Ainda persigo a fama a partir de Jacarepaguá (Zona Oeste do Rio), passo às vezes 1h50m dentro de um ônibus para poder chegar a algum lugar (às vezes com o dinheiro da passagem contado!), fico desesperado quando chega o fim do mês e com o fim o começo das contas que nem todo mês dá para pagar, sonho com a casa incrível que um dia quero dar de presente para os meus pais, tenho pavor do tempo que passa, penso nos amigos que ajudarei quando for famoso, não consigo entender como advogados viram escritores de novela só porque beberam alguns drinks com alguém importante numa festa idiota... E mesmo com tudo isso, depois de tanta realidade, preciso chegar ao final do dia e Acreditar. Pelo menos essa noite, graças as palavras do Aguinaldo, isso vai acontecer.








31/03/2012

NOITE DE LUA-CHEIA PARTE 2

Aconteceu no último dia 27, no Rio de Janeiro, o lançamento de "YELLOW MOON, A CIDADE DO LOBO"(Acaiah Editora). A noite não poderia ter sido mais incrível! Família, amigos, novos amigos e fãs vieram me prestigiar e os livros praticamente esgotaram em menos de 2 horas! Abaixo seguem alguns clics de Augusto Prates e Tati Bastos. INFELIZMENTE não tem como colocar todas as fotos aqui, mas deixo meu MUITO OBRIGADO à TODOS pelo carinho.











20/03/2012

TUDO QUE VOCÊ GOSTARIA DE FALAR SOBRE "MDNA", MAS TEM VERGONHA DE DIZER

Vazou o novo cd de Madonna, "MDNA". Para os fãs mais radicais que acham que até o peido da Rainha Pop (Sim, ela É!) é cheiroso, nada do que escrevo abaixo fará qualquer sentido. Para esses, o cd é ótimo e ponto final. Aliás, é isso que os fãs mais radicais de Madonna vêm fazendo nos últimos anos, seja no intervalo entre o GENIAL "Ray Of Light" e o divertidíssimo "Confessions On The Dancefloor" ou na entre-safra de "Confessions On The Dancefloor" e esse "MDNA": Dizer que "é tudo ótimo e ponto final". Principalmente quando isso é uma mentira deslavada. A má notícia para os fãs de mente aberta e o público em geral é a de que não, "MDNA" (depois de um longo hiato) não é o cd genial que esperávamos. Talvez esse cd nunca mais venha. A boa notícia é a de que sim, o cd é melhor que o anterior, o (com exceção de "Heart Beat" e "Miles Way", um equívoco) "Hard Candy". Talvez tudo isso que eu disse seja a mais pura verdade, seja o que todo mundo gostaria de dizer, mas não diz pq tem medo de não parecer cool no perfil do Facebook. Ou talvez eu não passe de um "velho" que não entende o que Madonna anda fazendo, já que hoje ela não faz cd para os fãs de longa data ou para alguém da idade dela, mas para a galera que ouve Justin Bieber. Madonna se recusa a aceitar que caminha para os 60, canta com voz de garotinha (no que isso tem de melhor e pior), abusa do Photoshop sem culpa para divulgar seus cds e shows e editais de revistas e parecer mais jovem e bonita que ao vivo, namora garotinhos, e posa de sensual por onde vai. Madonna se recusa a sair do jogo e joga para ganhar mesmo agora quando o tempo pede para que ela faça o contrário. Quer saber? Isso é o que acho mais incrível em Madonna (Mesmo sabendo - e espero que ela tb saiba - que a força que vem do processo de negar-se a envelhecer tb é fonte de derrota). INFELIZMENTE ela não conseguiu colocar toda essa atitude do caralho nos últimos cds que produziu, e como disse lá em cima, talvez jamais volte a colocar (afinal, negar-se a envelhecer não significa na prática não envelhecer), mas a julgar pelo que fez no último SuperBowl, existe um lugar onde toda essa recusa e atitude ainda funciona e jamais morrerá: Se nos cds Madonna soa como uma "princesa qualquer", no palco ainda ela é rainha absoluta. Que venha a turnê.


CD FAIXA A FAIXA:

O cd abre com a "mea culpa" "Girl Gone Wild", música híper dançante e que parece composta por uma garota de 15 anos cheia de prazer e culpa por ter tomado uns drinks e beijado umas bocas a mais. DEFINITIVAMENTE a melhor faixa do cd;

Sombria e porque não sexy, "Gang Bang" (Tb nome de uma prática sexual bem conhecida dos aficionados por filmes pornô.), música cheia de mágoa e raiva sobre um namoro que chega ao final. A música, sem exageros, poderia bem estar na trilha de um dos filmes de Tarantino (Ainda que eu ache que ele preferiria a "versão original" - Sim, eu sei que não é uma regravação, mas tenho certeza de que vcs entenderam - da Nancy Sinatra. Oops! Ele já usou em "Kill Bill").

"I'm addicted" (num climão euro) deve deixar Kylie Minogue morrendo de inveja e só;

"Turn Up The Radio" tem um "Q" anos 1980 (E que, CLARO, Madonna conhece muito bem). Madonna volta a cantar num tom mais alto e bem típico de suas gravações nos áureos tempo. Bem Cool;

"Givin' All Your Luvin'" soa COMPLETAMENTE destoante do cd. A batidinha meio anos 1960 é gostosa, mas soa incrivelmente boba e desconcertante na voz de uma mulher que caminha para os 60;

"Some Girls" é tããããão cheia de efeitos que quase nem parece Madonna, o que nesse caso é bom, pq faz a sonoridade soar fresh and new;

"I Don't Give A..." é uma versão reload de "American Life". Se na primeira Madonna se lamentava pelas pressões da sociedade onde cresceu, aqui ela diz mais ou menos que "é isso, esse é o mundo, e não to nem aí para o que as pessoas acham". O final grandiloqüente, num clima "Cry me a river" (Do Justin com Timbaland) soa pretenciosa e over, mas nem por isso, menos bela;

"I'm a Sinner" é chatíssima e a batida do refrão é tão parecida com "Beautiful Stranger" que chega a ser constrangedor. Musiquinha que não precisava estar no cd;

"Love Spend" fala de um "amor bandido" envolvendo carência e dinheiro. Prefiro a "Criminal" da Britney, que aliás na voz de Madonna teria ficado belíssima;

"Masterpiece" é outra faixa que soa COMPLETAMENTE fora de contexto. Tentativa forçada de empurrar a canção garganta abaixo dos fãs mais jovens que não vão comprar a idéia;

"Falling Free" é bela e introspectiva. Se não tivesse "I Fucked Up" seria a melhor balada do cd;

Mas "I Fucked Up" existe, está no cd e é DISPARADA a melhor balada desse novo trabalho e uma das melhores faixas. É a música "mais Madonna" (do que ela tem de melhor) de MDNA;

"Birthday Song" só perde para "Spanish Lesson"(De "Hard Candy") no quesito "pior música que Madonna já gravou". Cheguei a ficar com pena da M.I.A. Tomara que o dinheiro pago pela participação pague tb o mico.